Movimentos migratórios
Mais de 1 milhão de gaúchos residem em outros estados do Brasil
No início do século XX, 12% da população do Rio Grande do Sul era composta por estrangeiros, proporção significativamente superior à observada no Brasil. Este percentual é resultante do intenso fluxo migratório para o Estado no final do século XIX. Essa tendência mudou ao longo do tempo, indicando um aumento de pessoas com origem em outros estados brasileiros. Depois de 1990, o número de migrantes de outros Estados brasileiros já era proporcionalmente superior ao de estrangeiros. Os dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que 457.340 pessoas residentes no Estado nasceram em outro estado brasileiro. Entre os residentes não naturais do Estado, 36,1% nasceram em Santa Catarina, 18,1% no Paraná e 10,9% em São Paulo.
Por outro lado, o número de gaúchos que, a partir de 1940, passaram a habitar outras Unidades da Federação (UFs) também cresceu. A emigração no Estado aumentou até os anos 1970, tendo Santa Catarina e Paraná como principais destinos. Nas décadas seguintes, o fluxo de gaúchos teve como destino predominante a região Centro-Oeste. Em 2022, o Censo Demográfico identificou 1.189.878 gaúchos residindo em outros estados brasileiros. Entre os naturais do Rio Grande do Sul que, em 2022, residiam em outras UFs, 48,5% estavam em Santa Catarina, 20,3% no Paraná e 7,8% em São Paulo.
Entre 2017 e 2022, os movimentos migratórios entre o Rio Grande do Sul e outras UFs resultaram na entrada de 134.678 pessoas (imigrantes) e na saída de 212.517 residentes (emigrantes). Esse movimento resultou em um saldo migratório negativo de 77.839 pessoas no período. Em relação à população total do Estado, esse saldo corresponde a uma taxa líquida de migração de -0,72%, indicando uma perda populacional líquida no intervalo.
Além dos movimentos migratórios entre o Rio Grande do Sul e os demais estados brasileiros, a dinâmica migratória interna também contribui para a compreensão da distribuição da população no território estadual. Considerando as pessoas com 5 anos ou mais de idade que, em 31/07/2017, residiam em outro município, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Santa Maria foram os municípios que mais receberam imigrantes em números absolutos. Porém, quando se considera o número de imigrantes em relação ao total da população residente, destacam-se municípios do Litoral Norte. Nesse caso, Cidreira apresentou a maior proporção, com 28,3% da população residente composta por pessoas que, cinco anos antes, moravam em outro município, seguida por Balneário Pinhal (26,6%), Imbé (26,5%), Arroio do Sal (26,4%), Xangri-lá (22,3%) e Capão da Canoa (19,4%).
Fonte: JARDIM, M. L.; BARCELLOS, T. M. M. Migrações no Rio Grande do Sul. Revista Paranaense de Desenvolvimento, n. 121, p. 133–147, 2011 e IBGE. Censos Demográficos 2010 e 2022.
¹ Taxa líquida de Emigração = (naturais do RS residentes fora do Estado, exceto país estrangeiro) / População total de naturais do RS, exceto o que residem em outro país)*100
² Taxa liquida de Imigração = (não naturais do Estado residentes no RS, inclusive estrangeiros / População Total do RS)*100
³ Taxa liquida de Imigração Interna = (não naturais do Estado residentes no RS, exclusive estrangeiros / População Total do RS)*100