Granizos
Entre 1991 e 2025, o Rio Grande do Sul liderou o número de ocorrências e o total de atingidos por granizo no Brasil
Segundo a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), o granizo é definido como a “precipitação de pedaços irregulares de gelo”. Esse fenômeno é caracterizado pela queda de pedras de gelo com diâmetro igual ou superior a 0,5 cm (Varejão Silva, 2001 apud CEPED/UFSC, 2013). Considerado um desastre natural meteorológico associado a tempestades, produz impacto meteórico e se forma, na maioria das vezes, em nuvens cumulonimbus de grande desenvolvimento vertical.
No Brasil, entre 1991 e 2025, foram registradas 2.284 ocorrências de desastres causados por granizo. O Rio Grande do Sul liderou o cenário nacional, sendo responsável por 712 registros (31,17% do total), seguido por Santa Catarina, com 642 ocorrências (28,11%), e Paraná, com 544 (23,82%). Em relação aos danos humanos, o país contabilizou 419.820 pessoas atingidas no período. Novamente, o Rio Grande do Sul ocupou o primeiro lugar, concentrando 131.608 atingidos (31,35% do total nacional), seguido por Paraná (125.996 atingidos; 30,01%) e Minas Gerais (45.662 atingidos; 10,88%).
A sazonalidade das ocorrências no Rio Grande do Sul revela forte concentração nos meses de primavera. O mês de outubro registrou a maior incidência, com 193 eventos (27,11% do total estadual), seguido por setembro (115) e novembro (88). Na análise temporal do Estado, a série histórica aponta 2023 como o ano com maior pico de registros (83 ocorrências), seguido por 2015, com 72 eventos. Sob a perspectiva de danos humanos, destacam-se os anos de 2025 e 2015, que contabilizaram 40.910 e 40.636 atingidos, respectivamente, seguidos por 2007 (14.407) e 2013 (9.655). No caso de 2025, um único evento em novembro atingiu fortemente o norte do estado, enquanto em outubro de 2015, uma sequência de tempestades afetou 24 municípios, com grande impacto na Região Metropolitana.
Em termos territoriais, os registros de granizo apresentaram ampla distribuição pelo estado. Na liderança de ocorrências, destacam-se Santa Cruz do Sul e Vacaria (8 registros cada; 1,12% do total estadual), seguidos por Canguçu e Sobradinho (7 cada; 0,98%), além de Getúlio Vargas, Rio Pardo e São Jerônimo (6 cada; 0,84%). Quando avaliada a distribuição dos danos humanos, a classificação estadual é liderada por Erechim, devido a apenas um evento em novembro de 2025, o qual impactou severamente o município, resultando em 40.501 atingidos (30,77% do total do RS na série histórica). Canoas ficou em segundo lugar, com 18.780 afetados (14,27%), volume decorrente de um único evento catastrófico em outubro de 2015. O terceiro lugar pertence a São Jerônimo, com 14.183 atingidos (10,78%).
Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil
* Como danos humanos, foram considerados: mortos, feridos, enfermos, desalojados, desabrigados e desaparecidos.
Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil
Referências
BRASIL. Anuário brasileiro de desastres naturais: 2013. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Brasília: CENAD. 2014.
BRASIL. Atlas Digital de Desastres no Brasil. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Secretaria de Proteção e Defesa Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil. Brasília: MIDR, 2023. Disponível em: https://atlasdigital.mdr.gov.br/paginas/index.xhtml. Acesso em: jul. 2026.
CEPED/UFSC. Atlas brasileiro de desastres naturais: 1991-2012. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. 2ª. Ed. Florianópolis. 2013.
VAREJÃO SILVA, M. A. Meteorologia e climatologia. Brasília: INMET, 2001.