Ferrovias
A malha ferroviária do RS foi fortemente atingida pelo desastre natural de 2024
O Sistema Ferroviário Brasileiro possui aproximadamente 30 mil quilômetros de extensão distribuídos pelas cinco regiões do país. As ferrovias no Brasil são usadas primordialmente para o transporte de cargas e operam por concessão, cuja fiscalização é realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As principais cargas transportadas nas ferrovias do país são minério de ferro, com 72,3% do total de toneladas úteis transportadas em 2024¹, e granéis agrícolas, especialmente soja e milho em grão, com 18,3% do total no mesmo ano.
A malha ferroviária gaúcha foi concedida para a iniciativa privada em 1997 à empresa América Latina Logística (ALL) que, até 2013, detinha também áreas de concessão do norte da Argentina. Segundo informações do Governo do Estado², o trecho inicial concedido era de 3.823 quilômetros. Antes das enchentes de 2024, eram 1.680 quilômetros operados. Após a calamidade, esse número havia passado para apenas 921 quilômetros, com a desativação de ramais importantes, como Roca Sales-Vacaria, Roca Sales-Passo Fundo, Canoas-Rio Pardo e Rio Pardo-Santa Maria, o que também acarretou na ausência de ligação ferroviária do Rio Grande do Sul com o resto do Brasil.
Historicamente, o predomínio do transporte rodoviário levou à subutilização do modal ferroviário no Brasil e no Rio Grande do Sul. A participação ferroviária na matriz de transportes em 2017 era de aproximadamente 15% no Brasil e 6% no RS³. No entanto, o modal constitui um elo essencial da cadeia logística do transporte de cargas e com grande potencial para crescimento, desde que conectado adequadamente aos demais modais.
A maior parte da malha no RS apresenta bitola de 1 metro, a mais comum no Brasil. A bitola mista compõe apenas dois trechos em Uruguaiana e Santana do Livramento, em um total de 5 quilômetros, a fim de permitir a passagem de trens com a bitola padrão de 1,435 metro e realizar a integração com as malhas argentina e uruguaia.
Em 2015, a ALL fundiu com a empresa Rumo, que hoje é a operadora da concessão ferroviária no Estado. A porção da empresa, que opera em 7,2 mil quilômetros de ferrovias nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, é também denominada de Rumo Malha Sul (RMS) e tem contrato de concessão para o período de 1997 a 2027. Nos Estados em que atua, a RMS transporta principalmente produtos agrícolas, que representam 73,2% do total de toneladas úteis transportadas pela empresa em 2025 (com destaque para a soja e o farelo de soja), contêineres, com 9,1%, e combustíveis, derivados do petróleo e álcool, com 7,9% do total transportado no mesmo ano¹.
Já a linha de trens urbanos que funciona no eixo norte da Região Metropolitana de Porto Alegre é a única no Estado com transporte regular de passageiros e atende aos municípios de Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. A linha tem 43,8 quilômetros de extensão e 22 estações e é operada pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (TRENSURB), uma empresa pública vinculada ao governo federal.
¹ Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), 2024.
² RIO GRANDE DO SUL. Governo do Estado articula defesa de ferrovias em reunião do Codesul. Encontro em Curitiba debateu novas ações sobre a Malha Sul e alinhou estudo conjunto para fortalecimento do modal. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/governo-do-estado-articula-defesa-de-ferrovias-em-reuniao-do-codesul; Acesso em: 13.05.2026.
³ Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-RS), 2017.