Movimentos de massa
Mais de 2,6 mil pessoas foram afetadas por movimentos de massa entre 1991 e 2025 no Rio Grande do Sul
Os movimentos de massa constituem-se no deslocamento de material, solo e rocha vertente abaixo sob a influência da gravidade, sendo desencadeados pela interferência direta de outros meios ou agentes independentes como água, gelo e ar (BIGARELLA et al., 2003). Segundo os mesmos autores, a ocorrência desses processos é favorecida pela combinação de fatores como a estrutura geológica, a declividade das vertentes, o regime pluviométrico, a remoção da cobertura vegetal e a intervenção antrópica. Conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), essa categoria abrange quatro tipologias principais: a) quedas, tombamentos e rolamentos; b) deslizamentos; c) corridas de massa; e d) subsidências e colapsos.
No Brasil, entre 1991 e 2025, foram registradas 1.771 ocorrências de desastres causados por movimentos de massa. O Rio Grande do Sul ocupou a oitava posição no cenário nacional, sendo responsável por 49 registros (2,77% do total), enquanto as primeiras colocações foram lideradas por Minas Gerais (362 ocorrências; 20,44%), São Paulo (281; 15,87%) e Rio de Janeiro (272; 15,36%). Em relação aos danos humanos, o país contabilizou 243.420 pessoas atingidas no período. O estado figurou na nona posição nacional, com 2.688 atingidos (1,10% do total brasileiro), sendo antecedido no topo por Alagoas (87.932 atingidos; 36,12%), Rio de Janeiro (54.616; 22,44%) e São Paulo (30.799; 12,65%).
A sazonalidade do fenômeno no Rio Grande do Sul aponta maior concentração no mês de junho, com 9 registros na série histórica (18,37% do total estadual), seguido por julho (8) e agosto (7). Na análise temporal, o ano de 2023 destacou-se com a maior frequência de eventos (10), seguido por 2025 (6), além de 2015 e 2024 (5 cada). Sob a perspectiva dos danos humanos, sobressaem-se os anos de 2011 (1.489 pessoas atingidas), 2024 (661) e 2002 (344).
Em termos territoriais, o município de Gramado destacou-se com o maior número de registros no estado (4 ocorrências; 8,16% do total estadual). No entanto, ao avaliar a distribuição dos danos humanos acumulados, o quadro estadual é liderado por Novo Hamburgo, com 1.453 atingidos (54,06% do total do RS), decorrentes de um único evento em abril de 2011. Na segunda posição está Canela, com 651 atingidos (24,22%), também registrados em um único evento em 30 de abril de 2024, associado ao desastre de maio de 2024. São Borja está em terceiro lugar, com 223 atingidos (8,30%; evento de janeiro de 2002), e Gramado em quarto lugar, com 162 atingidos acumulados (6,03%).
Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil
* Como danos humanos, foram considerados: mortos, feridos, enfermos, desalojados, desabrigados e desaparecidos.
Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil
Referências
BIGARELLA, João José et al. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais: processos erosivos, vertentes, movimentos de massa, atividade endógena, superfícies de erosão, compartimentação do relevo, depósitos correlativos e ambientes fluviais. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. v. 3.
BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Atlas Digital de Desastres no Brasil. Florianópolis: CEPED/UFSC; Brasília: MIDR, 2026. Disponível em: https://atlasdigital.mdr.gov.br/. Acesso em: jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Anuário brasileiro de desastres naturais: 2013. Brasília: CENAD, 2014.