Gravidez na adolescência e partos cesáreos
A proporção de casos de gravidez na adolescência no Estado é uma das menores do Brasil
A gravidez na adolescência constitui uma importante questão de saúde pública, considerando suas repercussões sobre a saúde materna e infantil e sua associação com desigualdades sociais e econômicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a adolescência como o período entre 10 e 19 anos e destaca que mães adolescentes apresentam maior risco de algumas complicações relacionadas à gestação e ao parto, enquanto os recém-nascidos de mães adolescentes apresentam maior risco de baixo peso ao nascer, prematuridade e condições neonatais graves1.
A proporção de gravidez na adolescência tem caído, tanto no Brasil, como no Rio Grande do Sul. No Brasil, essa proporção passou de 23,4% em 2000 para 11,4% em 2024, enquanto no Rio Grande do Sul, a queda foi um pouco mais acentuada, caindo de 20,3% para 7,8%. Em 2024, o RS apresentou a terceira menor proporção de nascidos vivos cujas mães tinham menos de 20 anos (7,8%), atrás apenas do Distrito Federal (7,4%) e de Santa Catarina (7,7%).
Entre os COREDEs, em 2024, as maiores proporções de gravidez na adolescência estão em Campos de Cima da Serra (12,9%), Alto da Serra do Botucaraí (11,2%) e Centro-Sul (11,2%). Entre os municípios do Estado, 57 não apresentaram nenhum nascimento de mães com menos de 20 anos, sendo todos esses municípios pequenos, com menos de 70 nascimentos e menos de 6.500 habitantes. Na capital, a proporção de gravidez na adolescência foi de 6,0%.
Outro aspecto importante da saúde materna e neonatal é a proporção de partos cesáreosa. Partos cesáreos realizados por indicação médica podem evitar resultados adversos, tanto para gestante, como para o bebê. Entretanto, em casos em que a indicação não é clara, o parto cesáreo está associado ao aumento da morbidade e mortalidade maternas, à readmissão hospitalar e ao maior tempo de internação. Esse tipo de parto também está associado a uma série de resultados adversos para o recém-nascido, incluindo aumento de risco respiratório, uso de ventilação mecânica, prematuridade, internação em UTI neonatal e taxas mais elevadas de mortalidade neonatal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), taxas de parto cesáreo superiores a 10% não estão associadas a redução na mortalidade materna e neonatal2.
Entre 2000 e 2024, o Rio Grande do Sul apresentou uma proporção de partos cesáreos superiores aos do Brasil. Em 2009, os partos cesáreos ultrapassaram pela primeira vez os partos vaginais no Rio Grande do Sul. A proporção de partos cesáreos apresentou tendência ascendente, tanto no Rio Grande do Sul, quanto no Brasil. Houve uma pequena queda apenas em 2015, observada também em vários outros estados do país e na média nacional. Conforme o Ministério da Saúde, essa redução esteve relacionada a medidas como a implementação de políticas públicas como a da Rede Cegonha e investimentos em centros de Parto Normal; a qualificação das maternidades de alto risco; a maior presença de enfermeiras obstétricas durante o parto e a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar junto às operadoras de planos de saúde. Porém, nos anos seguintes a proporção de partos cesáreos voltou a crescer, atingindo 65,7%, em 2024, no Rio Grande do Sul e 60,6% no Brasil.
Em 2024, todas as COREDES apresentaram mais da metade dos partos do tipo cesáreo, sendo o menor percentual encontrado no COREDE Metropolitano Delta do Jacuí (50,9%) e o maior na Fronteira Noroeste (86,4%).
1 World Health Organization – WHO. Adolescent pregnancy. Geneva: World Health Organization; 2024 Apr 10. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy . Acesso em: agosto de 2026.
2 World Health Organization – WHO. WHO statement on caesarean section rates. Geneva: World Health Organization; 2015. 8 p. WHO/RHR/15.02. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-RHR-15.02 . Acesso em: agosto de 2026.
aPartos cesáreos são procedimentos cirúrgicos idealizados e praticados visando o alívio de condições maternas ou fetais, quando há risco para a mãe, para o feto, ou ambos, durante o trabalho de parto e, em algumas situações específicas, fora dele.