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Estiagens e secas

O Rio Grande do Sul ocupa a segunda posição nacional em ocorrências de estiagens e secas no período de 1991 a 2025

A estiagem, conforme definição da Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade), caracteriza-se por ser um "período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade, em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição". Trata-se de um evento de menor intensidade e duração do que a seca, mas com forte impacto na redução das reservas hídricas superficiais e subterrâneas, gerando graves prejuízos às atividades agropecuárias. Por sua vez, a seca é definida pela Cobrade como uma "estiagem prolongada, durante o período de tempo suficiente para que a falta de precipitação provoque grave desequilíbrio hidrológico."

No Brasil, entre 1991 e 2025, foram registradas 33.493 ocorrências de desastres associados a estiagens e secas. O Rio Grande do Sul respondeu por 12,54% desse total, somando 4.201 episódios no período. O estado gaúcho ocupa a segunda posição na lista nacional de registros, situando-se atrás apenas da Bahia (4.623 ocorrências; 13,80%) e à frente de Minas Gerais (3.837 ocorrências; 11,46%), que ocupa o terceiro lugar.

A distribuição temporal dos registros no estado revela uma marcante concentração no verão. O mês de janeiro lidera de forma isolada, concentrando 35,68% das ocorrências (1.499 episódios), seguido por fevereiro (808 episódios) e março (549 episódios). Em termos anuais, observam-se picos históricos nos anos de 2005 e 2020 (ambos com 425 episódios; 10,12% cada), seguidos por 2023 (364 episódios; 8,66%) e 2004 (347 episódios; 8,26%).

A distribuição geográfica do fenômeno demonstra um grande impacto no território gaúcho: ao longo de mais de três décadas, apenas 26 dos 497 municípios não registraram ocorrências formais de estiagem ou seca. Em contrapartida, os municípios com maior frequência de registros no período foram Fortaleza dos Valos, Nonoai e Piratini, com 16 episódios cada (0,38% do total do estado), seguidos por Campos Borges e Trindade do Sul, com 15 ocorrências cada (0,36%).

Nota metodológica: Os danos humanos decorrentes de estiagens e secas não foram contabilizados nesta análise devido à tendência metodológica de notificação da totalidade da população municipal nos decretos, o que compromete a precisão do indicador comparativo de afetados diretos.

Meses das ocorrências de estiagens e secas no RS (1991-2025)
grafico meses ocorrencias estiagens secas rs 1991 2025

 Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil

Anos das ocorrências de estiagens e secas no RS (1991-2025)
grafico anos ocorrencias estiagens secas rs 1991 2025

Fonte: MDR - Atlas Digital de Desastres no Brasil

Referências

BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Atlas Digital de Desastres no Brasil. Florianópolis: CEPED/UFSC; Brasília: MIDR, 2026. Disponível em: https://atlasdigital.mdr.gov.br/. Acesso em: jul. 2026.

BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Anuário brasileiro de desastres naturais: 2013. Brasília: CENAD, 2014.

Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul